Entrevista á Associaçom José Afonso – Galiza (AJA-Galiza)

Miguel Rodríguez Martínez e Roque Sanfiz Arias

A Associaçom José Afonso – Galiza (AJA – Galiza) é unha entidade adicada á difusión cívico-cultural do noso país. As súas actividades rachan cas fronteiras políticas, formalizando todo tipo de actividades ca veciña e irmá sociedade portuguesa. Nestes días máis que nunca por mor da Revoluçao dos cravos, a sociedade galega tende unha ponte na raia seca para conmemorar este fito histórico. Para esta ocasión, AJA – Galiza organiza un feixe de actividades en colaboración coa Gentalha do Pichel.

Dende Mazarelos queremos apoiar o estreitamento de lazos cun país e unha sociedade tan próxima á realidade galega e aproveitamos a ocasión para facerlles unhas preguntas coas que esperamos aprender deles para poder seguir os seus pasos e continuar ca difusión cultural á que estamos adicados.

Odilo G. Carnero, membro da diretiva, cedeunos un espazo de tempo para responder ás nosas cuestións sobre a AJA, a figura de José Afonso e outros aspectos relacionados coa Historia.

  • Boa tarde, Odilo. Primeiro de todo, parabéns á directiva da AJA–Galiza pola iniciativa e agradecer o espazo reservado para esta pequena conversa. Como xa sabedes, nós somos un espazo adicado á difusión cultural e das disciplinas afíns ás humanidades, polo que gostariamos comezar por unha pregunta sobre o persoeiro que dá nome á vosa asociación. Cal foi a relación de José Afonso con Galiza?

Boa tarde, obrigado a vós polos parabéns e por ter a iniciativa desta entrevista. Pois a verdade é que a relaçom do Zeca com Galiza foi muito forte. Estamos a falar dumha pessoa que viajou polo mundo, que morou em países coma Angola e Moçambique, onde desenvolveu umha forte consciência anti-colonialista. Isto propiciou que, quando chegou a Galiza pudera perceber com total claridade a idiossincrasia particular galega e defendesse o seu carater diferenciado. No momento verbalizou frases como “Estou farto de explicar por todo lado que Galiza nom é Espanha”, um posicionamento valente e salientável, polo que a dia de hoje ainda poderia ser fortemente atacado polos setores mais reacionários na nossa sociedade.

Por outro lado, foi um pessoeiro que também se posicionou reconhecendo as caraterísticas culturais comuns que nos achegam ao país irmão, é sua a frase “A Galiza nom fica no Minho”.

Galiza e Jose Afonso

Por se isto fora pouco, para o Zeca Galiza era algo mais, fumos para el umha terra de acolhida, à que el viu a tocar quando nom andava nos seus melhores momentos económicos. Da mão do movimento musical “Voces Ceibes” percorreu de arriba a baixo o país, o que permitiu que nos chega-se a conhecer mui bem, assim como propiciou que se sentira um galego mais, seria entom quando manifestasse “A Galiza é para mim umha espécie de Pátria espiritual. Foi umha experiência maravilhosa. Algo especial. Talvez ninguém me entendesse como na Galiza”

  • Foi casual a elección dunha canción de José Afonso aquel 25 de Abril?

Nom, sem dúvida que nom. José Afonso já de aquelas era umha pessoa com implicaçons politicas, tanto pola sua militância anti-colionalista, antes comentada, coma polos contatos que mantinha co LUAR e o PCP. Isto causou-lhe problemas coa PIDE (a polícia politica), a qual o perseguia e investigava em cada movimento que fazia, de feito, hoje em dia estam desclassificados todos os documentos que assim o demostram.

Por suposto, também temos que ter em conta a sua faceta musical. O Zeca estava enquadrado dentro do que se chamou o canto de intervençom, este movimento musical/político estava realmente mui bem organizado, existiam umha serie de autores preparados para realizar um tema musical no momento que sucedera algum feito repressivo ou destacado a nível político, muitas vezes também faziam-se cantos com letras de dobre leitura para burlar às autoridades.

Zeca na homenaxe da Gruta das Lapas, en Torres Novas.

  • Por que pensades que a historia portuguesa, pese a ser os nosos veciños, é unha gran descoñecida no estado e en Galiza? A que se debe a ausencia desta nos programas de estudos, dende a primaria ao grao de Historia?

Boa pregunta, a verdade que aqui poderíamos estender-nos muito analisando todos os fatores aos que se deve esta situaçom. Intentando ser conciso, na minha opiniom, simplesmente é que se deve a interesses dos ganhadores, explico-me, no estado espanhol nom tivemos umha revoluçom que finalizasse à ditadura e a chamada transiçom política tivo sempre muitas pessoas críticas. Ademais, coa perspetiva que dam os anos semelha que estas criticas à transiçom vam em aumento falando incluso dumha perpetuaçom do Franquismo nas estruturas do estado. Durante este período, um dos assuntos que ficarom “Atados y bien atados” foi o da unidade territorial o qual nega dereitos fundamentais coletivos coma o de autodeterminaçom, mas também tenta criar a imagem irreal dum estado homogéneo igualando-nos com povos maravilhosos como pode ser o andaluz ou o castelam, mas que culturalmente som mais diferentes de nós que o povo português do qual ficamos totalmente isolados.

Um dos assuntos que ficarom “Atados y bien atados” foi o da unidade territorial o qual nega dereitos fundamentais coletivos coma o de autodeterminaçom.

Por outro lado, também há que reconhecer que Portugal devido à inimistade histórica co Reino de Espanha (ou de Castela) sempre mirou cara o mar tecendo ligaçons com outros países de fora da península.

Por último, compre salientar que após da revoluçom do 25 de abril em Portugal existiu um movimento contrarrevolucionário, este levou a cabo inclusive tentativas de golpe de estado, o qual também afogou grande parte das aspiraçons socialistas da revoluçom. Umha destas aspiraçons que nom frutificou, foi que a revoluçom passara as fronteiras portuguesas para que cada povo realizara o próprio no seu território. Se este ponto tivera sucesso, propiciaria a criaçom de ligaçons entre povos em liberdade, que permitiria umha relaçom normal e entre iguais entre Galiza e Portugal.

Esta mensagem de luitar contra toda injustiça em qualquer parte do mundo, levou-na até o fim da sua vida o Zeca, já que umha das suas últimas linhas foi “Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for”.

  • Que iniciativas de recuperación histórica leva a cabo a AJA-Galiza?

Pois a verdade que esse é um dos objetivos mais importantes que temos na AJA-Galiza. Em concreto queremos impulsar a transmissom inter-geracional das revindicaçons que levava por bandeira a Revoluçom dos Cravos. Pensamos que as suas mensagens seguem vigentes 30 e 40 anos depois e estam cheias de esperança para quem colha o relevo na luita polas injustiças sociais.

Espazo web da AJA-Gal

Por este motivo, no ano e três meses que levamos de vida tentamos recuperar todos este valores e transmiti-los mediante atividades coma a apresentaçom de livros e trabalhos musicais, a realizaçom de concertos de grupos galegos e portugueses de diferentes estilos musicais, A realizaçom de exposiçons ou a revindicaçom de espaços de grande valor histórico coma o Parque Jose Afonso de Compostela onde se comemora o histórico concerto que deu o artista no Burgo das Naçons.

Por outra banda, sempre dizemos que a AJA-Galiza também tenta funcionar coma umha embaixada popular entre Galiza e Portugal. Coa funçom de estreitar ligaçons entre ambos povos, polo que nom só trazemos a cultura e história de Portugal aqui, se nom que tentamos levar a cultura e história galega a Portugal. Um dos feitos do que nos sentimos mais orgulhosos foi a inaguraçom da biblioteca de livre acesso “Afonso Daniel Rodriguez Castelao” na sede da AJA no centro de Lisboa, isto foi o dia das Letras Galegas do ano passado, feito para o qual tivemos o apoio do Concelho de Rianxo.

Por último, comentar que estamos começando a sacar adiante um documentário sobre a pegada do Zeca em Galiza, com entrevistas a quem o conheceu e com quem mantivo amizade. Este é um trabalho que vai para longo, mas que gostaríamos sacar-lo tanto em vídeo coma em papel.

Cartaz das actividades coordinadas por AJA-Galiza e a Gentalha do Pichel nestas datas

  • Centrándonos agora nas actividades dos próximos días. Cres que existe cada ano que pasa unha conciencia maior dende o imaxinario galego sobre a Revoluçom dos craveis?

Pois sim, este ano, igual que o ano passado, temos muitas atividades programadas para estes dias, a diferencia do ano passado organizamo-las de maneira conjunta co Centro Social a Gentalha do Pichel, o qual conta com grande experiencia na divulgaçom da figura do Zeca e dos valores do 25 de abril.

Todas as actividades as podedes ver na nossa página web ou nas nossas redes sociais (Twitter e Facebook). Mas já vos comento que agora mesmo temos aberta, até o 5 de maio, umha exposiçom de cartazes do 25 de abril na Fundaçom Eugenio Granell, na praça do Toral. Hoje 26,  temos muitas atividades dende as 17:00 até a noite na Gentalha do Pichel (conta-contos musicados, apresentaçom do livro “O zeca para crianças”, projeçom/coloquio do documentário “Foi na cidade do Sado”, ceia de convívio e concerto dos Meninos) e o dia 29 na livraria Couceiro a apresentaçom por primeira vez em Galiza (e no estado espanhol) do livro-CD “José Afonso ao vivo”, que contem dous temas inéditos do Zeca. Esta publicaçom está a ser um autêntico bestseller no país vizinho e aqui teremos o privilegio de contar co autor, José Moças, e co acompanhamento musical de Xico Malheiro para apresenta-lo.

Directiva da AJA-Galiza na exposición da Fundación Eugenio Granell

E agora respostando à tua pregunta (ri), realmente nom, um dos motivos polos que um grupo de pessoas demos o passo adiante para criar esta célula galega da AJA foi precisamente pola percepçom da perda da consciência do que foi a Revoluçom dos Cravos. Por este motivo, é um dos nossos objetivos que lhe chegue às novas geraçons a ideia do que foi, o que defendeu e o que significou a revoluçom do 25 de abril, assim coma ajudar a que nom caia no esquecimento das que viverom esse momento histórico. Com todo, é verdade também que em Galiza ainda se respira um grande sentimento de cercania a todo o que está relacionado coa Revoluçom dos Cravos, devido ao grande impacto que tivo no seu dia no nosso país.

  • Por último, queredes aproveitar a ocasión para mandar algunha mensaxe aos nosos lectores?

Pois já que me dades esta oportunidade, penso que atualmente estamos num momento compricado em toda Europa devido ao ascenso da ultradireita. Podemos observar que Portugal é um caso paradigmático onde isto nom sucede, sem dúvida devido a que o povo português parou-lhe os pes ao fascismo no seu dia. É verdade que a revoluçom nom cumpriu todos os seu objetivos socialistas, também é verdade que o capitalismo ganhou muitas batalhas ponhendo ao povo português em situaçons mui compricadas. Mais há muitas cousas nas que a revoluçom triufou, umha foi no saneamento das estruturas do estado e a erradicaçom o fascimo do território português. Ademais, permitiu que um povo homogéneo, como é o português, se sinta unido e poderoso pois sabem que eles som quem mais ordenam. Penso que disto podemos tomar muitas notas, mas a fundamental é a de como os povos tenhem que luitar pola sua soberania, estar unidos e abraçar causas justas. Para isto, deveriase começar por criar umha consciência social, como se fijo no seu dia coas cançons do Zeca e nom ter atitudes passivas ante as injustiças que se vem a diário. Temos ao raposo no galinheiro, picotemo-lo até que marche e nom queira voltar jamais.

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